quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Entre os cílios



Não era o banco molhado, nem o grupo de rapazes agitados sentados atrás de nós, nem nada que ia me fazer cogitar que algo importaria mais naquele momento que o sorriso dela. Tem dias que sinto me desacostumar da beleza dela. Eu olho centenas de vezes, e em cada uma delas, eu descubro um pouco mais sobre como ela é bem desenhada. De repente, eu olho no olho dela, que me olha de volta – check match – ela me tem. 

Então, ela me beija, segura minha camisa. Por alguns segundos, imaginei a dor que seria não tê-la. Soou tão intolerável a hipótese de aquelas mãos deixarem de segurar minha camisa um dia, daquela boca procurar por outra boca quando quiser um beijo. Foi quando coloquei meu braço ao redor dos ombros dela, como se pedisse pra que ela ficasse. 

Quero tanto que ela fique, quero saber fazê-la ficar. Mas, se um dia ela precisar ir, terei um arsenal de fotografias mentais às quais recorrer. Não vão suprir a ausência, mas vão me lembrar que já tive os olhos mais bonitos olhando pra mim, dizendo entre os cílios maquiados: “eu te amo”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário